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Startups brasileiras de IA e automação atraem milhões em novos investimentos

Duas startups brasileiras de tecnologia anunciaram captações expressivas em maio de 2026: a Enter, especializada em IA jurídica, atingiu o status de unicórnio — a primeira do setor na América Latina —, enquanto a Aimirim, de automação industrial, captou R$ 10 milhões em rodada coliderada pela SP Ventures e pela Indicator Capital.

Por Eu Googlando IA4 min de leitura
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  • A startup Enter, de IA jurídica, tornou-se o primeiro unicórnio de inteligência artificial da América Latina, com avaliação superior a US$ 1 bilhão
  • O fundador da Enter declarou que o objetivo é colocar o Brasil no top 5 global de IA
  • A Aimirim, startup mineira de automação industrial, captou R$ 10 milhões em rodada liderada pela SP Ventures e Indicator Capital
  • O produto Tupana, da Aimirim, já está presente em operações nos EUA, Europa e Ásia, além do Brasil
  • Ambas as captações reforçam o crescimento do ecossistema brasileiro de startups de tecnologia profunda
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Brasil ganha seu primeiro unicórnio de IA na América Latina

O ecossistema de tecnologia brasileiro vive um momento de efervescência. A Enter, startup focada em inteligência artificial jurídica, tornou-se oficialmente o primeiro unicórnio de IA da América Latina, atingindo a marca de avaliação de mercado superior a US$ 1 bilhão. O anúncio foi confirmado em 15 de maio de 2026 e rapidamente repercutiu no setor de inovação nacional.

Para quem não está familiarizado com o termo: um "unicórnio" é uma startup avaliada em mais de US$ 1 bilhão que ainda não abriu capital na bolsa de valores. Chegar a esse patamar coloca a Enter em um grupo seleto de empresas globais — e faz do Brasil um endereço relevante no mapa mundial da IA.

O fundador da empresa revelou à Folha de S.Paulo que a ambição vai muito além de ser referência regional. "O objetivo é colocar o Brasil no top 5 global de IA", afirmou o executivo, em declaração que sintetiza o apetite crescente do setor por protagonismo internacional.

O que faz a Enter diferente?

A Enter atua no segmento jurídico, um dos mais complexos e resilientes do mercado brasileiro. A empresa usa inteligência artificial para automatizar processos legais, reduzir o tempo de análise de documentos e dar mais agilidade a escritórios de advocacia e departamentos jurídicos corporativos.

Pense nisso como ter um assistente jurídico que leu milhões de processos, conhece toda a jurisprudência relevante e ainda responde em segundos — sem pausas para café. É essa proposta de valor que ajudou a empresa a escalar rapidamente e conquistar confiança de investidores.

O marco de unicórnio representa não apenas o sucesso comercial da companhia, mas também um sinal claro para o mercado global: startups brasileiras de IA têm musculatura para competir em alto nível.

Aimirim capta R$ 10 milhões para levar automação ao chão de fábrica

Enquanto a Enter celebra sua virada histórica, outra startup brasileira também protagoniza uma notícia de peso. A Aimirim, sediada em Uberlândia (MG), anunciou a captação de R$ 10 milhões — o equivalente a cerca de 18 salários mínimos anuais para mais de 50 trabalhadores — em uma rodada coliderada pela SP Ventures e pela Indicator Capital.

A startup mineira desenvolve soluções que integram hardware de campo e software para automação e controle operacional de processos industriais. Os setores atendidos incluem agronegócio, mineração e celulose — pilares da economia brasileira.

"Nosso diferencial é a interoperabilidade. A tecnologia desenvolvida se integra facilmente aos sistemas industriais já existentes, sem a necessidade de substituição de maquinário caro", afirmou Renato Pacheco Silva, CEO da Aimirim, em nota divulgada pela empresa. "Ou seja, atua na borda da operação, permitindo inteligência em tempo real onde a produção acontece."

Tupana: o produto que já atravessa fronteiras

O carro-chefe da Aimirim é o Tupana, solução de controle preditivo que já opera em plantas industriais no Brasil e em mercados internacionais, incluindo Estados Unidos, Europa e Ásia.

A diferença central em relação a concorrentes, segundo a empresa, está na capacidade de ir além da simples visualização de dados. "Enquanto outros players oferecem apenas visibilidade com dashboards, conseguimos ir além, entregando controle preditivo", disse Silva. "Os protocolos abertos oferecem liberdade aos clientes e evitam a dependência de um único fabricante de hardware."

Traduzindo para o dia a dia industrial: em vez de apenas mostrar que uma máquina está esquentando demais, o sistema da Aimirim age para corrigir o problema antes que ele aconteça — e faz isso sem que a fábrica precise jogar fora os equipamentos que já tem.

Por que esses movimentos importam para o Brasil?

O Brasil ocupa hoje uma posição ambígua no cenário global de tecnologia: tem talentos reconhecidos, um mercado consumidor gigantesco e uma das maiores economias do mundo, mas historicamente exporta cérebros em vez de produtos de alta tecnologia.

As captações da Enter e da Aimirim sinalizam uma mudança nesse padrão. Investidores nacionais e estrangeiros estão apostando que startups brasileiras têm condições de criar tecnologia de ponta — e não apenas adaptar soluções importadas.

Para o setor de automação industrial, em particular, o momento é estratégico. Com a agenda de reindustrialização em debate no país e pressões globais por eficiência produtiva, soluções como as da Aimirim chegam em hora oportuna.

O que esperar nos próximos meses?

Com o novo aporte, a Aimirim deve acelerar sua expansão tanto no mercado nacional quanto internacional. A empresa não divulgou detalhes sobre contratações ou novos mercados-alvo, mas o histórico de startups em estágio similar aponta para crescimento acelerado de equipe e estrutura comercial.

Já a Enter, agora com o status de unicórnio, enfrenta o desafio clássico das empresas que atingem esse patamar: manter o ritmo de crescimento e provar que a avaliação bilionária se sustenta no longo prazo. A declaração do fundador sobre o top 5 global de IA deixa claro que a empresa não pretende descansar sobre os louros.

O Brasil tech está em movimento — e os sinais vindos de Uberlândia e de São Paulo mostram que a onda pode ser mais ampla do que parece.

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