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Economia

Agronegócio bate recorde histórico de US$ 16,6 bi em exportações em abril de 2026

O agronegócio brasileiro exportou US$ 16,65 bilhões em abril de 2026, o maior valor registrado desde o início da série histórica, em 1997, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O resultado representa crescimento de 11,7% frente a abril de 2025 e fez o setor responder por 48,8% de tudo que o Brasil exportou no mês.

Por Eu Googlando IA5 min de leitura
Agronegócio bate recorde histórico de US$ 16,6 bi em exportações em abril de 2026
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  • O agronegócio brasileiro exportou US$ 16,65 bilhões em abril de 2026, recorde histórico desde 1997, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária.
  • O setor respondeu por 48,8% das exportações totais do Brasil no mês, com superávit de US$ 15 bilhões.
  • A soja em grãos liderou com US$ 6,9 bilhões exportados e 16,7 milhões de toneladas embarcadas — recorde para meses de abril.
  • A carne bovina in natura registrou US$ 1,6 bilhão, alta de 29,4%, com China concentrando 55,8% das compras.
  • A China foi o principal destino das exportações do agro, com US$ 6,6 bilhões em compras e crescimento de 21,8% na comparação anual.
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Recorde histórico impulsionado por soja e carne bovina

O agronegócio brasileiro encerrou abril de 2026 com o melhor desempenho exportador de sua história. As vendas externas do setor totalizaram US$ 16,65 bilhões — o equivalente a aproximadamente R$ 83,4 bilhões, considerando a taxa de câmbio do período —, superando todos os resultados anteriores desde que o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) passou a registrar os dados, em 1997.

O crescimento foi de 11,7% em relação a abril do ano passado. O volume embarcado aumentou 9,5% e o preço médio dos produtos avançou 2,1% na comparação anual, indicando que o resultado reflete tanto maior quantidade exportada quanto melhora nos valores praticados no mercado internacional.

Setor representa quase metade das exportações do Brasil

Com o desempenho de abril, o agronegócio passou a responder por 48,8% de tudo que o Brasil exportou no período. No acumulado de janeiro a abril de 2026, as vendas externas do setor somaram US$ 54,6 bilhões — também um recorde para um quadrimestre, segundo o Mapa.

As importações de produtos do agronegócio recuaram 3,6% frente a abril de 2025, totalizando US$ 1,62 bilhão (cerca de R$ 8,1 bilhões). Com isso, o setor registrou superávit de US$ 15 bilhões no mês — resultado que evidencia a relevância da balança comercial agrícola para a economia nacional.

"O cenário internacional, marcado pela crescente valorização da regularidade de fornecimento, da capacidade de entrega e da segurança sanitária, também favorece o posicionamento do Brasil nos mercados globais. A ampliação do acesso internacional aos produtos brasileiros também contribui para o resultado", destacou o ministério em nota oficial.

Soja lidera a pauta exportadora com recorde de volume

A soja em grãos foi o principal produto da pauta de exportações em abril. O complexo soja — que inclui grãos, farelo e óleo — movimentou US$ 8,1 bilhões, alta de 20,4% em relação ao mesmo mês de 2025.

Somente a soja em grãos respondeu por US$ 6,9 bilhões (aproximadamente R$ 30 bilhões) em exportações, crescimento de 18,8% na comparação anual. O volume embarcado foi de 16,7 milhões de toneladas, avanço de 9,7% e recorde para meses de abril na série histórica.

De acordo com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a safra recorde do ciclo 2025/2026 e a alta de 8,4% no preço médio foram os principais fatores responsáveis por esse desempenho.

Carne bovina atinge marca histórica

A carne bovina in natura também registrou resultados históricos em abril. As exportações chegaram a US$ 1,6 bilhão (cerca de R$ 8,09 bilhões), alta de 29,4% frente a abril de 2025 — recorde para o mês. O volume embarcado foi de 252 mil toneladas, crescimento de 4,3% na comparação anual.

A China foi o principal destino da proteína bovina brasileira, concentrando 55,8% das vendas totais, com compras da ordem de US$ 877,4 milhões no período.

As proteínas animais como um todo — que englobam bovinos, suínos e aves — somaram US$ 3 bilhões em exportações no mês, crescimento de 18% em relação a abril de 2025.

Frango e suínos também batem recordes no período

Os embarques de carne de frango no primeiro quadrimestre de 2026 foram os maiores da história, de acordo com dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), cuja série teve início em 1997. O Brasil exportou 1,940 milhão de toneladas de carne de frango entre janeiro e abril de 2026, superando o recorde anterior de 1,930 milhão de toneladas registrado no último quadrimestre de 2025.

Em abril especificamente, o setor avícola exportou 486.500 toneladas, alta de 2,2% em relação ao mesmo período do ano anterior — o maior volume para o mês na série histórica da Secex.

Segundo o CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a combinação de demanda aquecida e oferta controlada em algumas regiões manteve os preços da carne de frango em alta. Para a segunda metade de maio, agentes consultados pelo CEPEA indicam que a alta nas cotações pode perder força, em razão da redução do poder de compra ao final do mês.

Outros destaques: café, celulose, algodão e frutas

Além dos produtos líderes, outros segmentos apresentaram desempenho relevante em abril. Os produtos florestais — incluindo a celulose — avançaram 8,6%, somando US$ 1,4 bilhão. O café exportou US$ 1,2 bilhão, embora tenha registrado queda de 12,1% na comparação anual.

Também tiveram desempenho recorde no mês produtos como farelo de soja, algodão, rações para animais domésticos, óleo essencial de laranja e sebo bovino, segundo o Mapa.

O mercado de frutas brasileiras também vive momento de expansão. Desde 2023, o Brasil abriu 34 novos mercados para frutas como melões, limões e mamões, ampliando o acesso internacional a esses produtos.

China domina as compras; EUA recuam

A China permaneceu como principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, respondendo por cerca de 40% das vendas totais do setor. O país asiático comprou US$ 6,6 bilhões (aproximadamente R$ 40 bilhões) em produtos agropecuários brasileiros em abril, alta de 21,8% frente a abril de 2025.

A União Europeia ficou na segunda posição, com compras de US$ 2,36 bilhões (R$ 11,93 bilhões), participação de 14% e crescimento de 8,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os Estados Unidos ocuparam o terceiro lugar, com US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) em importações de produtos agropecuários brasileiros, participação de 6%. No entanto, houve recuo de 16,8% na comparação anual — movimento que pode refletir, em parte, as tensões comerciais em curso entre os dois países.

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