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Desemprego chega a 6,1% no 1º trimestre de 2026, mas é o menor já registrado para o período

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 6,1% no primeiro trimestre de 2026, alta em relação aos 5,1% do trimestre anterior, mas o menor índice já registrado para o período desde 2012, quando o IBGE iniciou a série histórica da Pnad Contínua. Ao mesmo tempo, o número de pessoas que buscam emprego há dois anos ou mais caiu 21,7%, atingindo o menor patamar histórico.

Por Eu Googlando IA4 min de leitura
Desemprego chega a 6,1% no 1º trimestre de 2026, mas é o menor já registrado para o período
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  • A taxa de desemprego no Brasil ficou em 6,1% no 1º trimestre de 2026, a menor já registrada para o período desde 2012, segundo o IBGE.
  • O número de pessoas que buscam emprego há dois anos ou mais caiu 21,7%, chegando a 1,089 milhão — menor patamar histórico da série.
  • O desemprego subiu em 15 estados, com destaque para Ceará (+2,3 p.p.), enquanto Santa Catarina registrou a menor taxa do país (2,7%).
  • Amapá liderou o ranking de desocupação, com 10%, seguido por Alagoas, Bahia e Pernambuco (9,2% cada).
  • Disparidades persistem: mulheres (7,3%), pessoas pretas (7,6%) e com ensino médio incompleto (10,8%) têm taxas acima da média nacional.
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O que dizem os números

A taxa de desocupação de 6,1% no primeiro trimestre de 2026 representa um avanço em relação aos 5,1% registrados no quarto trimestre de 2025. Ainda assim, o índice é considerado positivo: trata-se da menor marca para um primeiro trimestre desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2012.

Os dados foram divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (14). Esta rodada da pesquisa trouxe, além da taxa nacional — já publicada em 30 de abril —, os resultados detalhados por estado e recortes específicos do mercado de trabalho brasileiro.

Por que o desemprego subiu no trimestre?

O aumento da taxa entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro de 2026 segue um padrão esperado. Segundo o analista do IBGE William Kratochwill, o fenômeno é sazonal e ocorre historicamente neste período do ano.

"Historicamente, há dispensa de trabalhadores temporários no comércio e também encerramento de contratos nas áreas de educação e saúde pública municipal", explicou Kratochwill. Outros 12 estados mantiveram estabilidade estatística na taxa de desocupação, o que, segundo o analista, demonstra que o mercado de trabalho conseguiu absorver parte do movimento sazonal.

Desemprego de longo prazo cai ao menor nível da história

Um dos destaques mais expressivos da pesquisa é a queda no chamado desemprego de longo prazo. O número de pessoas que buscam emprego há dois anos ou mais chegou a 1,089 milhão no primeiro trimestre de 2026 — queda de 21,7% em relação ao mesmo período de 2025, quando o contingente era de quase 1,4 milhão.

Esse é o menor patamar registrado pelo IBGE desde o início da série histórica. Para efeito de comparação, no pico da pandemia de Covid-19, em 2021, havia 3,5 milhões de pessoas nessa condição.

O recuo também aparece em outras faixas temporais de desocupação:

- Mais de um mês a menos de um ano: 3,380 milhões de pessoas, queda de 9,9% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Em 2021, esse grupo chegou a 7 milhões. - Mais de um ano a menos de dois anos: 718 mil pessoas, redução de 9% na mesma comparação. O pico, também em 2021, foi de 2,6 milhões. - Menos de um mês procurando vaga: quase 1,4 milhão de pessoas, 14,7% abaixo do registrado em 2025, mas ainda acima do nível de 2014 (1,016 milhão), único grupo que não atingiu mínimo histórico.

Conforme o analista Kratochwill, o dado reflete um mercado de trabalho mais ágil: "As pessoas estão gastando menos tempo para se realocar. O mercado está mais dinâmico."

Distribuição dos desocupados por tempo de busca

O IBGE também detalhou como os 6,6 milhões de desocupados se distribuem pelo tempo em que estão procurando emprego:

- Menos de um mês: 21,2% dos desocupados - Um mês a menos de um ano: 51,4% - Um ano a menos de dois anos: 10,9% - Dois anos ou mais: 16,5%

Desigualdades persistem no mercado de trabalho

Apesar dos resultados gerais positivos, a pesquisa evidencia disparidades estruturais. A taxa de desemprego foi maior entre mulheres (7,3%) do que entre homens (5,1%). Entre pessoas pretas, o índice chegou a 7,6%, e entre pardas, a 6,8% — ambas acima da média nacional de 6,1%.

A escolaridade também pesa: entre pessoas com ensino médio incompleto, a taxa de desocupação atingiu 10,8%.

A subutilização da força de trabalho — indicador mais amplo que inclui desempregados, trabalhadores com poucas horas e pessoas desalentadas — ficou em 14,3% no país, com pico de 30,4% no Piauí. O desalento, que mede quem desistiu de procurar emprego, atingiu 2,4% da força de trabalho ampliada.

A informalidade representou 37,3% da população ocupada, enquanto 74,7% dos empregados do setor privado tinham carteira assinada.

Mapa do desemprego: extremos entre estados

O levantamento confirma um Brasil com dois mercados de trabalho bastante distintos. O Amapá registrou a maior taxa de desocupação do país, com 10%. Na sequência, aparecem Alagoas, Bahia e Pernambuco, empatados em 9,2%, e Piauí (8,9%) e Sergipe (8,6%). O Nordeste segue concentrando os piores índices do país.

No outro extremo, Santa Catarina registrou a menor taxa, de apenas 2,7%, seguida por Mato Grosso (3,1%) e Espírito Santo (3,2%). Segundo o G1, estados mais industrializados e com população mais escolarizada tendem a apresentar mercados de trabalho mais estruturados.

Entre os estados com maiores altas em relação ao trimestre anterior, se destacaram Ceará (+2,3 pontos percentuais), Acre (+1,8 p.p.) e Tocantins (+1,6 p.p.). As menores variações ocorreram em Santa Catarina (+0,5 p.p.) e Espírito Santo (+0,8 p.p.).

O que esperar nos próximos trimestres?

Os dados do IBGE apontam para um mercado de trabalho em movimento, com indicadores estruturais melhorando — especialmente na queda do desemprego de longo prazo — mesmo com a alta sazonal típica do início do ano. O desafio, segundo os especialistas, está em reduzir as desigualdades regionais e de recorte social, que ainda distanciam o desempenho nacional dos resultados vividos por parcelas mais vulneráveis da população.

A próxima divulgação da Pnad Contínua Trimestral deverá trazer os dados do segundo trimestre de 2026, período em que historicamente o mercado de trabalho começa a se recuperar após o ajuste sazonal do início do ano.

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