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Ibovespa cai pela 5ª semana seguida e dólar supera R$ 5,06 com escândalo político

O Ibovespa encerrou a sessão desta sexta-feira (15) em queda de 0,61%, aos 177.284 pontos, acumulando a quinta semana consecutiva no negativo — recuo de 3,71% no período. O dólar comercial avançou 1,63% e fechou a R$ 5,067, pressionado pelos desdobramentos do escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso em Brasília.

Por Eu Googlando IA4 min de leitura
Ibovespa cai pela 5ª semana seguida e dólar supera R$ 5,06 com escândalo político
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  • Ibovespa recua 0,61% na sexta-feira (15) e fecha aos 177.284 pontos, acumulando queda de 3,71% na semana — quinta consecutiva no negativo.
  • Dólar avança 1,63% e encerra a R$ 5,067, mantendo-se acima de R$ 5,06 durante toda a sessão.
  • Escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal, é apontado como principal vetor de instabilidade.
  • Intercept Brasil revelou áudio de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro para o filme Dark Horse; Vorcaro teria pago R$ 61 milhões pela produção.
  • Estrangeiros retiraram R$ 17 bilhões da Bolsa nas últimas semanas; JPMorgan alertou clientes que 'não é hora de voltar' ao mercado brasileiro.
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Semana no vermelho: a pior performance recente do Ibovespa

O mercado financeiro brasileiro encerrou mais uma semana difícil. O Ibovespa — principal índice da Bolsa de Valores brasileira, a B3 — caiu 0,61% na sessão de sexta-feira (15), fechando aos 177.284 pontos. Na mínima intradiária, chegou a 175.417 pontos, uma perda de mais de 1.900 pontos em relação ao fechamento anterior.

No acumulado semanal, o recuo foi de 3,71%, a pior performance semanal do índice em meses. O resultado reforça a sequência de cinco semanas consecutivas no campo negativo.

Dólar segue acima de R$ 5

A moeda americana avançou 1,63% no dia, cotada a R$ 5,0673 no mercado comercial. Segundo dados compilados pelo G1 e pelo Infomoney, nem na mínima da sessão o dólar ficou abaixo do patamar de R$ 5,06.

A alta do câmbio encarece diretamente produtos importados, passagens aéreas internacionais e o custo de vida de quem tem despesas em moeda estrangeira. A valorização do dólar também tende a pressionar a inflação ao consumidor nas próximas semanas.

Os juros futuros — os chamados DIs, contratos que refletem as expectativas do mercado para a taxa Selic — subiram por toda a curva, chegando às máximas do ano, segundo O Globo. O movimento indica que investidores estão precificando mais risco no horizonte e exigindo prêmio maior para aplicar em ativos brasileiros.

Escândalo Bolsonaro-Vorcaro derruba confiança do mercado

Um dos principais vetores da instabilidade foi o agravamento do escândalo político envolvendo integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e atualmente preso em Brasília, acusado de liderar um esquema bilionário de fraudes financeiras, segundo a Polícia Federal.

Na quarta-feira (13), o site Intercept Brasil revelou um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, pede dinheiro e pressiona por pagamentos para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória de seu pai. Segundo a reportagem, Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões pela produção. A TV Globo confirmou as informações.

Na sexta-feira (15), novos documentos obtidos pelo Intercept Brasil mostraram que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que reside nos Estados Unidos desde o ano passado, consta em contrato como produtor-executivo do filme. Eduardo negou a função e afirmou que o contrato foi firmado apenas para evitar a paralisação da produção. A TV Globo também confirmou essa segunda reportagem.

De acordo com o blog da jornalista Andreia Sadi, uma das linhas de investigação agora apura se o dinheiro foi de fato destinado à produção cinematográfica ou se serviu como justificativa para cobrir despesas pessoais de Eduardo nos Estados Unidos.

"Não é hora de voltar", alerta JPMorgan

O escândalo, com impactos eleitorais diretos e incertezas sobre a capacidade da oposição de lançar uma candidatura competitiva para 2026, levou investidores estrangeiros a uma fuga em massa dos ativos brasileiros.

Segundo dados compilados pelo Infomoney com base em informações da B3, estrangeiros retiraram R$ 17 bilhões da Bolsa brasileira nas últimas semanas. O banco americano JPMorgan emitiu alerta a clientes, citado pelo Infomoney, afirmando que "não é hora de voltar" ao mercado brasileiro — um sinal de desconfiança institucional em relação aos ativos nacionais.

"O noticiário político pesou muito nas decisões dos investidores ao longo da semana", afirmou João Carlos Oliveira, chefe da mesa de operações do Moneycorp, em comentário citado pelo Infomoney.

Cenário externo também contribui para queda

Além dos fatores domésticos, o ambiente internacional não ajudou. As bolsas americanas também fecharam em baixa, em um dia marcado por decepção com as negociações no Oriente Médio e com o encontro entre o presidente chinês Xi Jinping e o presidente norte-americano Donald Trump — que não gerou os avanços esperados pelos mercados globais.

O cenário de incerteza geopolítica amplificou a aversão ao risco e penalizou especialmente os mercados emergentes, categoria em que o Brasil se enquadra. Quando investidores globais ficam mais cautelosos, tendem a retirar capital de países como o Brasil e migrá-lo para ativos considerados mais seguros, como títulos do Tesouro americano.

O que esperar para as próximas semanas?

Com a combinação de crise política doméstica, investigações em curso e pressão externa, a volatilidade deve permanecer elevada, segundo João Carlos Oliveira, do Moneycorp. O foco dos investidores estará nos desdobramentos das investigações sobre Vorcaro e no impacto sobre o cenário eleitoral de 2026 — fator que tende a influenciar diretamente a precificação do risco-Brasil nos próximos meses.

Por enquanto, o mercado aguarda sinais mais claros antes de retomar posições de compra em ativos brasileiros, de acordo com analistas ouvidos pelo Infomoney.

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