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Bilionário Bill Ackman vende Google e aposta na Microsoft em movimento bilionário

O investidor bilionário Bill Ackman, fundador da Pershing Square, anunciou a venda completa de sua posição na Alphabet, empresa controladora do Google, e usou os recursos para comprar ações da Microsoft. O movimento foi divulgado pelo próprio Ackman na plataforma X e será detalhado em um registro regulatório junto à SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos.

Por Eu Googlando IA5 min de leitura
Bilionário Bill Ackman vende Google e aposta na Microsoft em movimento bilionário
▸ leitura rápida
  • Bill Ackman, fundador da Pershing Square, vendeu toda a posição em Alphabet (Google) e comprou ações da Microsoft
  • Ackman havia comprado ações do Google a US$ 94 há três anos; na venda, os papéis eram negociados a US$ 392
  • A Pershing Square começou a comprar Microsoft em fevereiro de 2025, após queda de 15% nas ações da empresa no ano
  • Ackman defende que a Microsoft está com valuation atrativo e bem posicionada no mercado de IA com Azure e Copilot
  • O fundo registrará a movimentação na SEC, o órgão regulador do mercado de capitais dos EUA
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Ackman troca Google por Microsoft em aposta de longo prazo

O bilionário Bill Ackman, fundador e CEO do fundo de investimentos Pershing Square, surpreendeu o mercado ao anunciar a liquidação total de sua posição na Alphabet — empresa controladora do Google — e a criação de uma nova posição relevante em ações da Microsoft. O anúncio foi feito pelo próprio Ackman em uma publicação na plataforma X, na última sexta-feira.

Segundo Ackman, o fundo começou a construir a posição na Microsoft em fevereiro deste ano, após uma queda expressiva nas ações da companhia. A ação da Microsoft acumula desvalorização de aproximadamente 15% em 2025, pressionada por preocupações dos investidores com a desaceleração do crescimento na divisão de nuvem Azure e o aumento acelerado de despesas operacionais.

De acordo com informações apuradas pelo jornal The Globe and Mail, a Pershing Square ainda detinha parte das ações da Alphabet ao final do primeiro trimestre de 2025, mas uma pessoa próxima ao portfólio confirmou que a posição foi completamente liquidada ao longo do segundo trimestre.

Por que Ackman abandonou o Google?

Ackman havia comprado as ações da Alphabet há cerca de três anos, a um preço médio de US$ 94 por ação. Na última sexta-feira, as ações da Classe C da empresa eram negociadas a US$ 392 — uma valorização expressiva que tornou o momento estratégico para a realização de lucros.

Para o contexto brasileiro: US$ 94 equivalia, na época da compra, a aproximadamente R$ 470 pelo câmbio da época. Hoje, a ação a US$ 392 representa cerca de R$ 2.350 por papel — uma multiplicação de valor de mais de quatro vezes no período.

Apesar dos ganhos acumulados com o Google, Ackman sinalizou que as perspectivas de valorização futura da Alphabet são menos atraentes do que as da Microsoft, especialmente no campo da inteligência artificial e da computação em nuvem.

O que justifica a aposta na Microsoft?

Ackman argumentou em sua publicação que a Microsoft se encontra em uma "valuation altamente atraente" — ou seja, que o preço atual das ações está abaixo do que o gestor considera o valor justo da empresa.

Segundo o investidor, a Microsoft opera dois dos negócios de tecnologia corporativa mais valiosos do mundo: o Azure, sua plataforma de computação em nuvem, e o pacote M365 Office, que inclui o Copilot, assistente de inteligência artificial da empresa disponível por US$ 30 por mês — cerca de R$ 180 — para usuários corporativos.

"Vemos a recente decisão da Microsoft de reestruturar sua parceria com a OpenAI não como uma concessão, mas como parte de uma deliberada mudança em direção a uma abordagem mais aberta e multi-modelo", disse Ackman, conforme reportado pelo The Globe and Mail.

O gestor classificou essa aposta como parte de uma estratégia mais ampla de investir em empresas de tecnologia com valuations atraentes e potencial de crescimento dominante no longo prazo.

Preocupações do mercado que Ackman considera exageradas

O mercado financeiro tem demonstrado ceticismo em relação à Microsoft por algumas razões específicas. Entre elas, estão a adoção mais lenta do que o esperado da ferramenta Copilot, a mudança nos termos da parceria com a OpenAI — que retirou da Microsoft os direitos exclusivos de revenda da tecnologia da startup em sua nuvem — e o avanço competitivo de rivais como Google (Alphabet) e Amazon no segmento de IA.

No entanto, Ackman defende que essas preocupações estão sendo superestimadas pelo mercado. Para ele, a queda de 15% nas ações da empresa em 2025 criou uma janela de entrada a preços atrativos para investidores de longo prazo.

Registro na SEC confirma a movimentação

O fundo Pershing Square realizará um registro formal junto à SEC (Securities and Exchange Commission), equivalente à CVM brasileira, detalhando os novos dados do portfólio. Esse tipo de documento, chamado de "13F", é exigido para gestores que administram acima de US$ 100 milhões em ativos e oferece transparência sobre as posições dos grandes fundos de investimento dos Estados Unidos.

De acordo com as informações apuradas pela Reuters e pelo The Globe and Mail, o documento mostrará que a Pershing Square ainda tinha ações da Alphabet no encerramento do primeiro trimestre de 2025 — o que significa que a venda da totalidade da posição foi concluída entre abril e junho deste ano.

O perfil de Ackman e a relevância da Pershing Square

Bill Ackman é um dos gestores de fundos mais conhecidos e influentes de Wall Street. A Pershing Square é um fundo de hedge (fundo de alto risco e alto retorno) com bilhões de dólares sob gestão, e as movimentações de seu portfólio são acompanhadas de perto por analistas e investidores ao redor do mundo.

A estratégia da gestora costuma se concentrar em um número reduzido de posições, com foco em empresas de grande capitalização e perspectivas sólidas de crescimento no longo prazo. A entrada na Microsoft reforça essa abordagem, indicando que Ackman enxerga na companhia um ativo subvalorizado pelo mercado em meio à volatilidade atual do setor de tecnologia.

O que isso significa para o mercado?

Movimentos de grandes investidores como Ackman costumam influenciar o comportamento de outros gestores e até de investidores individuais. A sinalização de que a Microsoft está "barata" em relação ao seu potencial pode estimular novos fluxos de capital para as ações da empresa.

Por outro lado, a saída de um investidor relevante como Ackman da Alphabet pode gerar algum ruído negativo em torno das ações do Google, mesmo que a empresa mantenha fundamentos robustos e continue sendo um dos maiores players globais de publicidade digital e inteligência artificial.

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