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BAT lança hub de inovação no Brasil e fundo de R$ 2,2 bi mira startups brasileiras

A British American Tobacco (BAT) lançou em maio de 2026 um hub de investimentos e inovação no Brasil, com foco em startups de bens de consumo e tecnologia para o varejo. O movimento se conecta ao fundo global BTomorrow Ventures (BTV), que ainda tem cerca de R$ 2,2 bilhões disponíveis para alocação e promete ao menos dois aportes em empresas brasileiras ainda este ano.

Por Eu Googlando IA4 min de leitura
BAT lança hub de inovação no Brasil e fundo de R$ 2,2 bi mira startups brasileiras
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  • A BAT lançou em maio de 2026 um hub de inovação no Brasil voltado a startups de bens de consumo e tecnologia para o varejo.
  • O fundo BTomorrow Ventures (BTV), braço de CVC da BAT, tem R$ 2,2 bilhões disponíveis para novos investimentos globalmente.
  • A expectativa é realizar ao menos dois aportes em startups brasileiras ainda em 2026, segundo a CEO Claudia Woods.
  • O Brasil foi escolhido pelo tamanho do mercado e pela maturidade do ecossistema de startups, de acordo com a executiva.
  • A estratégia faz parte da diversificação da BAT para além do mercado de cigarros, sob pressão regulatória crescente no mundo.
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A British American Tobacco (BAT), gigante global do setor tabagista, está acelerando sua estratégia de diversificação de negócios no Brasil. A companhia lançou neste mês de maio de 2026 um hub de investimentos e inovação no país, com o objetivo de estreitar o relacionamento com empreendedores — especialmente de setores como bens de consumo e tecnologia para o varejo. A iniciativa se conecta diretamente ao braço de corporate venture capital (CVC) da empresa, o fundo global BTomorrow Ventures (BTV).

O anúncio foi feito por Claudia Woods, presidente da BAT para a América Latina Sul (Latam South). Ex-CEO da WeWork na América Latina, a executiva assumiu o comando da operação em janeiro do ano passado com uma missão clara: ajudar a BAT a ir além dos cigarros.

O fundo BTomorrow Ventures: números e apetite

Lançado em 2020, o BTomorrow Ventures já investiu R$ 1,1 bilhão em 31 startups espalhadas pelo mundo. Mas o apetite ainda é grande: o fundo mantém cerca de R$ 2,2 bilhões disponíveis para novos aportes — o equivalente a aproximadamente 440 mil salários mínimos no Brasil (considerando o salário mínimo vigente de R$ 1.518 em 2025).

Para 2026, a expectativa é ambiciosa no que diz respeito ao mercado local. "A expectativa é que sejam feitos ao menos dois novos investimentos em startups brasileiras este ano", afirmou Claudia Woods, em declaração divulgada ao portal Startups.com.br.

O perfil das startups no radar do BTV inclui empresas com potencial de escala, atuação em mercados de consumo de massa e soluções inovadoras para o varejo — segmentos diretamente relacionados à cadeia de distribuição e ao portfólio de produtos que a BAT pretende expandir além do tabaco.

Por que o Brasil está na mira?

A escolha pelo Brasil como mercado prioritário não é casual. Segundo Claudia Woods, dois fatores críticos explicam o olhar especial para o ecossistema nacional.

"O primeiro é o mercado brasileiro, que tem tamanho e potencial de escala. O segundo é um ecossistema de inovação maduro, com empreendedores que já criaram essa casca de inovação", declarou a executiva.

O Brasil é, de fato, um dos maiores ecossistemas de startups da América Latina. Segundo dados do relatório Distrito Hubs 2024, o país concentra mais de 13 mil startups ativas, com destaque para verticais de fintechs, healthtechs e retailtechs — exatamente o tipo de empresa que o BTV busca.

Além do volume, o ecossistema brasileiro tem apresentado maturidade crescente: fundadores com experiências anteriores de saída (exits), aumento no número de empresas com receita recorrente e capacidade de expansão regional são atributos valorizados por fundos de CVC globais.

O que é corporate venture capital e por que importa?

Para quem não está familiarizado com o termo, o corporate venture capital (CVC) é uma modalidade de investimento em que grandes empresas criam fundos próprios para aportar capital em startups. Diferente do venture capital tradicional — gerido por fundos independentes —, o CVC busca retorno financeiro combinado com benefícios estratégicos para a corporação-mãe.

No caso da BAT, o objetivo estratégico é claro: usar o BTV como antena para identificar tecnologias e modelos de negócio que possam ajudar a empresa a diversificar seu portfólio, reduzindo a dependência do mercado de cigarros — segmento sob pressão regulatória crescente em todo o mundo.

Essa tendência é global. Segundo o relatório Global CVC Report 2024 da CB Insights, fundos de CVC participaram de mais de 20% de todos os rounds de venture capital registrados no mundo no ano passado, com destaque para setores de consumo, saúde e tecnologia.

Hub local: mais do que dinheiro

O hub de inovação lançado no Brasil vai além do aporte financeiro. A estrutura tem como objetivo criar pontes entre a BAT e o ecossistema empreendedor local, facilitando parcerias comerciais, projetos-piloto e o desenvolvimento conjunto de soluções.

Esse modelo de hub é cada vez mais comum entre multinacionais que operam no Brasil. Empresas como Johnson & Johnson, Bayer e Natura já utilizam estruturas semelhantes para se aproximar de startups sem necessariamente realizar investimentos imediatos — o relacionamento precede e, muitas vezes, antecede o cheque.

Para startups brasileiras nos segmentos de bens de consumo, varejo e tecnologia, o movimento representa uma oportunidade concreta de acesso a capital estrangeiro com potencial de parceria estratégica com uma das maiores empresas de consumo do mundo.

Diversificação como estratégia de sobrevivência

A iniciativa da BAT no Brasil faz parte de um movimento mais amplo da companhia globalmente. Nos últimos anos, a empresa tem investido em produtos de tabaco aquecido, nicotina em pouches (sachês sem fumaça) e outros produtos alternativos ao cigarro convencional.

O mercado global de produtos alternativos ao tabaco deve movimentar US$ 32 bilhões até 2030, segundo projeções da consultoria Grand View Research — e as startups de tecnologia têm papel central nessa transformação, tanto no desenvolvimento de produtos quanto na digitalização dos canais de venda e distribuição.

Com o hub brasileiro e o capital do BTV disponível, a BAT sinaliza que o país deixou de ser apenas um mercado consumidor para se tornar também um polo estratégico de inovação dentro da corporação.

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