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Economia

Brasil prevê R$ 989 bilhões em IA e data centers até 2029, aponta Brasscom

O Brasil deve investir R$ 736,6 bilhões em inteligência artificial e R$ 252,4 bilhões em data centers entre 2026 e 2029, segundo relatório da Brasscom. O setor de TIC já representa 7,2% do PIB nacional e cresceu 15% em 2025, atingindo R$ 919,7 bilhões em tamanho de mercado.

Por Eu Googlando IA4 min de leitura
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  • Brasil prevê investir R$ 736,6 bi em IA e R$ 252,4 bi em data centers entre 2026 e 2029, segundo a Brasscom
  • BNDES, Finep e Embrapii já aprovaram R$ 10,5 bilhões em projetos de inteligência artificial entre 2023 e 2026
  • Setor de TIC atingiu R$ 919,7 bilhões em 2025, crescimento de 15% e equivalente a 7,2% do PIB nacional
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Brasil na corrida global pela inteligência artificial

O Brasil está consolidando a infraestrutura digital como pilar estratégico da economia. Segundo o Relatório do Macrossetor de TIC 2025, divulgado pela Brasscom — associação que representa empresas de tecnologia da informação, comunicações e tecnologia digital —, o país deverá investir R$ 736,6 bilhões (cerca de US$ 129,8 bilhões) em inteligência artificial e R$ 252,4 bilhões (US$ 44,5 bilhões) em data centers entre 2026 e 2029.

Os números fazem parte de uma projeção mais ampla de R$ 2 trilhões (US$ 352,4 bilhões) em tecnologias no período. Apenas a computação em nuvem deve receber R$ 765,6 bilhões (US$ 134,9 bilhões), liderando o volume de aportes ao lado da IA.

Crescimento acelerado em nuvem e inteligência artificial

De acordo com o relatório da Brasscom, computação em nuvem e IA lideram o crescimento do mercado tecnológico brasileiro, com taxas médias anuais de expansão projetadas em 21% e 20%, respectivamente. O documento atribui esse avanço à digitalização corporativa, à automação baseada em IA e ao aumento da demanda por capacidade computacional.

Para contextualizar a escala do investimento: R$ 736,6 bilhões em IA equivalem a aproximadamente 614 mil salários mínimos mensais pagos durante os quatro anos do ciclo projetado — um volume que ilustra o peso econômico da transformação digital em curso.

O macrossetor de TIC atingiu R$ 919,7 bilhões (US$ 162 bilhões) em tamanho de mercado em 2025, alta de 15% em relação ao ano anterior. O segmento já responde por 7,2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, segundo o levantamento.

BNDES, Finep e Embrapii mobilizam R$ 10,5 bilhões

No lado do financiamento público, o governo federal também intensificou os aportes. Entre janeiro de 2023 e fevereiro de 2026, BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) aprovaram, em conjunto, R$ 10,5 bilhões em apoio financeiro voltado ao desenvolvimento da inteligência artificial, de acordo com dados das próprias instituições.

O montante reúne diferentes modalidades — crédito, subvenções, aportes em equity e coinvestimentos — e representa um dos maiores esforços coordenados do setor público para acelerar a adoção de tecnologia no setor produtivo. A iniciativa está alinhada à agenda de neoindustrialização do governo federal.

Como os recursos públicos foram distribuídos

O BNDES concentrou a maior fatia: aproximadamente R$ 5,1 bilhões do total aprovado. Desse valor, R$ 4,1 bilhões foram destinados a operações de crédito e R$ 947 milhões a operações de equity — modalidade em que o banco adquire participação direta em empresas, tornando-se sócio nos projetos financiados.

A Finep aprovou R$ 4,25 bilhões em projetos de IA, distribuídos da seguinte forma: R$ 2,5 bilhões em crédito, R$ 1,1 bilhão em fomento não reembolsável e R$ 636 milhões em subvenção econômica — ou seja, recursos que as empresas recebem sem obrigação de devolução, desde que cumpram as metas do projeto.

Já a Embrapii destinou R$ 1,2 bilhão para 632 projetos no formato de coinvestimento não reembolsável, priorizando pesquisa aplicada em setores como agricultura, indústria e serviços.

O que significa "equity" no contexto do BNDES?

Para o leitor não familiarizado com o termo: quando o BNDES realiza uma operação de equity, ele injeta capital em uma empresa em troca de participação societária, assumindo o papel de investidor. Diferente do crédito tradicional, em que o dinheiro precisa ser devolvido com juros, o retorno do equity depende do desempenho futuro da empresa. Essa modalidade é comum em startups e projetos de alto risco tecnológico.

Posicionamento estratégico do Brasil

Os investimentos projetados colocam o Brasil entre os países com maior volume de aportes previstos em IA na América Latina. A combinação de recursos públicos — via BNDES, Finep e Embrapii — com a expansão do mercado privado de tecnologia sinaliza uma aposta estrutural na digitalização da economia nacional.

Segundo a Brasscom, setores como agricultura, indústria e serviços são os principais alvos das tecnologias financiadas, com potencial de ganho de produtividade e competitividade internacional. O relatório da entidade não detalha, entretanto, os critérios de seleção dos projetos nem o cronograma de desembolso ao longo dos quatro anos.

Contexto global e desafios internos

A corrida por infraestrutura de IA é global. Países como Estados Unidos, China e membros da União Europeia também anunciaram pacotes trilionários para o setor nos últimos dois anos. O Brasil busca, com esses investimentos, não apenas acompanhar o ritmo internacional, mas também desenvolver capacidade tecnológica própria — reduzindo a dependência de plataformas e modelos estrangeiros.

Especialistas do setor apontam que, para que os investimentos se traduzam em ganhos reais de produtividade, será necessário avançar em paralelo em formação de mão de obra qualificada, regulação adequada e conectividade de banda larga, especialmente nas regiões Norte e Nordeste do país — onde a infraestrutura digital ainda apresenta lacunas significativas.

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