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Economia

Dólar recua a R$ 4,9863 e Ibovespa sobe 0,72% após correção técnica seguida à turbulência com Flávio Bolsonaro

O dólar fechou em queda de 0,45% nesta quinta-feira (14), cotado a R$ 4,9863, voltando abaixo do patamar de R$ 5 um dia após disparar 2,31% em razão de uma crise política envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o Banco Master. O Ibovespa, principal índice da B3, avançou 0,72%, encerrando o pregão aos 178.366 pontos, em movimento de correção técnica após o estresse da véspera.

Por Eu Googlando IA4 min de leitura
Dólar recua a R$ 4,9863 e Ibovespa sobe 0,72% após correção técnica seguida à turbulência com Flávio Bolsonaro
▸ leitura rápida
  • O dólar fechou a R$ 4,9863 nesta quinta (14), queda de 0,45%, voltando abaixo de R$ 5 após disparar 2,31% na véspera.
  • A alta do dia anterior foi provocada por reportagem do Intercept Brasil sobre suposto pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Daniel Vorcaro, do Banco Master.
  • O Ibovespa avançou 0,72%, aos 178.366 pontos, impulsionado pelas ações da Petrobras, mas acumula recuo de 3,12% na semana.
  • Encontro entre Trump e Xi Jinping em Pequim com tom conciliador ajudou a melhorar o humor dos mercados globais.
  • Analistas alertam que a crise política doméstica e a pressão inflacionária nos EUA seguem como fatores de risco para os próximos pregões.
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O que derrubou o dólar na véspera

Na quarta-feira (13), uma reportagem do Intercept Brasil revelou um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, supostamente pedia dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo a publicação, os recursos seriam destinados ao pagamento de despesas relacionadas ao filme Dark Horse, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A notícia pegou o mercado financeiro de surpresa e derrubou a confiança dos investidores. O dólar, que já vinha pressionado por dados de inflação nos Estados Unidos, saltou 2,31% no pregão de quarta, fechando a R$ 5,0086 — a primeira vez que a moeda americana voltou a fechar acima de R$ 5 desde 23 de abril.

O episódio passou a ser chamado por analistas de mercado de "Flávio Day 2", em referência ao pregão em que o senador anunciou sua pré-candidatura e a Bolsa despencou 4,3%, no pior desempenho diário desde 2021.

A correção desta quinta-feira

Com o estresse do dia anterior absorvido, o mercado entrou em modo de correção técnica nesta quinta (14). O dólar comercial iniciou as negociações cotado a R$ 5,02, mas recuou ao longo da manhã até atingir R$ 4,97, estabilizando-se próximo a R$ 4,9863 até o fechamento.

Especialistas ouvidos pelo Estadão E-Investidor classificaram o movimento como uma "correção técnica" natural após o estresse cambial registrado na véspera. O recuo refletiu também a realização de lucros por parte de investidores que haviam apostado na alta do dólar durante a turbulência política.

Apesar da queda desta quinta, o dólar ainda acumula valorização de 1,88% na semana e de 0,68% no mês de maio, segundo dados do Banco Central. No acumulado de 2026, contudo, a moeda americana ainda registra queda de 9,16% frente ao real.

Ibovespa recupera fôlego puxado por Petrobras

A Bolsa brasileira acompanhou o alívio cambial e também encerrou o pregão no campo positivo. O Ibovespa avançou 0,72%, chegando aos 178.366 pontos. O movimento foi impulsionado, sobretudo, pelas ações da Petrobras, que registraram alta de 0,82% nas ordinárias (PETR3) e de 0,96% nas preferenciais (PETR4).

Mesmo com a recuperação desta quinta, o índice ainda acumula recuo expressivo de 3,12% na semana — reflexo direto da instabilidade política dos últimos pregões. No ano, o Ibovespa ainda mantém desempenho positivo, com alta de 10,70% em 2026, conforme dados da B3.

Cenário externo ajuda na recuperação

Além do arrefecimento da crise política doméstica, o ambiente internacional também colaborou para o bom humor dos mercados. Investidores de todo o mundo acompanharam o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, realizado em Pequim, segundo reportagens de agências internacionais de notícias.

Os dois líderes adotaram tom conciliador e defenderam maior cooperação entre as duas maiores economias do planeta. Os temas debatidos incluíram a guerra tarifária, a disputa tecnológica entre os países e questões relacionadas a Taiwan. O mercado interpretou a aproximação diplomática como um sinal positivo para o comércio global.

O reflexo foi imediato nas bolsas americanas e europeias. Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones subiu 0,75%, o S&P 500 avançou 0,77% e o Nasdaq — focado em tecnologia — valorizou 0,88%. As ações da Nvidia foram destaque após o governo americano autorizar empresas chinesas a comprarem chips da companhia.

Na Europa, os principais índices também encerraram em alta, com o STOXX 600 acompanhando o movimento global de recuperação.

O que ainda preocupa o mercado

Apesar do alívio desta quinta, analistas alertam que os fatores de risco não desapareceram. No cenário doméstico, a crise política envolvendo Flávio Bolsonaro e o Banco Master ainda deve repercutir nos próximos pregões, especialmente se novas informações vierem a público. Na sexta-feira (15), o pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, foi preso, o que pode reacender a tensão no mercado, segundo a Folha de S.Paulo.

No cenário externo, os indicadores de inflação nos Estados Unidos continuam pressionando as expectativas sobre os juros americanos. Juros mais altos por mais tempo nos EUA tendem a fortalecer o dólar globalmente, tornando os ativos de países emergentes — como o Brasil — menos atrativos para investidores estrangeiros.

Para o investidor brasileiro, cada variação de R$ 0,10 no câmbio pode impactar diretamente o preço de produtos importados, combustíveis e até a inflação ao consumidor, já que o dólar é a moeda de referência em diversas cadeias de suprimentos da economia nacional.

O que esperar nos próximos pregões

O mercado segue em compasso de espera, monitorando tanto os desdobramentos da crise política interna quanto o rumo das negociações comerciais entre Estados Unidos e China. Qualquer novo fato relevante envolvendo o Banco Master ou o cenário eleitoral de 2026 tem potencial de provocar novas oscilações bruscas no câmbio e na Bolsa.

Analistas de mercado consultados pelo Estadão E-Investidor recomendam cautela diante da volatilidade elevada e apontam que os fundamentos da economia brasileira continuam sendo o principal balizador para decisões de médio e longo prazo.

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