Sexta-feira, 15 de maio de 2026 · São Paulo
São PauloNewsletterAssineEntrar
Edição Digital · São Paulo
PublicidadeEspaço disponível · Eu Googlando
Leaderboard
970 × 90 px · IAB Standard
Anuncie aqui →
Tech & IA

IA vai transformar operações e elevar salários nas empresas brasileiras, dizem especialistas

Inteligência Artificial exige muito mais do que adoção de plataformas: ela demanda uma reinvenção completa do modelo operacional das empresas. Especialistas da McKinsey e da IBM alertam que organizações que tratarem a IA como ativo estratégico — e não como simples ferramenta — sairão na frente na próxima década.

Por Eu Googlando IA5 min de leitura
▸ leitura rápida
  • Rafael Siqueira, da McKinsey, afirma que a IA exige reinvenção do modelo operacional das empresas, não apenas adoção de plataformas
  • Especialistas defendem que profissionais que aprenderem a usar IA terão vantagem salarial, migrando de executores para orquestradores de inteligência
  • Marcelo Braga, da IBM, alerta que a IA será a identidade das empresas, não uma simples tecnologia, e que governança de agentes autônomos é prioridade urgente
  • PMEs ganham acesso a ferramentas antes restritas a grandes corporações graças à automação por agentes de voz e IA
  • Pesquisa Enterprise 2030 da IBM indica que praticamente todas as funções corporativas serão transformadas pela IA antes de 2030
Publicidade
PublicidadeEspaço disponível · Eu Googlando
Billboard
970 × 250 px · IAB Standard
Anuncie aqui →

O estado da IA nas empresas em 2026

O São Paulo Innovation Week 2026 abriu suas portas com uma pergunta que ninguém consegue ignorar: o que a Inteligência Artificial está fazendo, de verdade, com as empresas brasileiras? A resposta veio de Rafael Siqueira, líder da McKinsey Technology para a América Latina, durante a palestra de abertura do evento.

Segundo Siqueira, o impacto da IA no Brasil vai muito além de assinar contratos com plataformas de automação. "O verdadeiro divisor de águas é a mudança profunda no modelo operacional", afirmou o especialista. Em outras palavras: não basta comprar a tecnologia. É preciso repensar como a empresa funciona do zero.

No mesmo dia, Marcelo Braga, presidente da IBM Brasil, fechou o palco principal do AI Festival com uma tese ainda mais provocadora. Para ele, a IA não será uma tecnologia que as empresas adotam — ela será a identidade delas. "Tecnologia se compra, se implementa, se troca. Identidade se constrói", disse Braga, baseando sua fala nos dados da pesquisa Enterprise 2030, conduzida pela IBM.

De executor a orquestrador: o novo perfil profissional

Um dos pontos que mais chamou a atenção na fala de Siqueira foi a mudança no papel dos profissionais dentro das organizações. Segundo ele, a IA está acabando com as tarefas repetitivas e mecânicas — e isso não é necessariamente uma má notícia para os trabalhadores.

"Você vai se tornar muito mais um orquestrador. É uma oportunidade maior até de dar um salto salarial", afirmou o especialista da McKinsey. Ou seja, o profissional deixa de ser quem executa processos e passa a ser quem supervisiona, ajusta e direciona os agentes de IA que executam por ele.

Essa transição, de acordo com Siqueira, favorece quem se qualifica. O "fantasma do desemprego" que ronda debates sobre automação, segundo ele, está mal direcionado. A IA não elimina empregos por si só — mas cria uma vantagem competitiva clara para quem aprende a usá-la. Quem a ignora, fica para trás.

Braga, da IBM, reforçou esse diagnóstico com dados concretos: a IA vai transformar praticamente todas as funções existentes hoje antes de 2030. "Não é uma previsão vaga. É uma reorganização em curso", afirmou o executivo durante o AI Festival.

PMEs ganham acesso a ferramentas antes restritas a grandes corporações

Um dos ângulos mais interessantes levantados por Rafael Siqueira foi o impacto da IA no ecossistema de pequenas e médias empresas (PMEs). Historicamente, serviços sofisticados de atendimento ao cliente, gestão e análise de dados eram privilégio das grandes corporações, que tinham escala humana para sustentá-los.

Com a IA, esse cenário muda. "Muitos dos serviços que a gente poderia prestar e que precisavam de seres humanos para esse 'long tail' de PMEs podem, hoje, ser executados por agentes e assistentes de voz", explicou Siqueira.

A lógica é uma via de mão dupla: grandes empresas conseguem alcançar mercados antes inviáveis sem precisar contratar exércitos de funcionários. E pequenos negócios passam a ter acesso a ferramentas de gestão e atendimento que antes só existiam nos orçamentos das gigantes do mercado.

A IA mais valiosa não é a mais poderosa — é a mais única

Marcelo Braga trouxe ao AI Festival uma reflexão que muda a forma como empresas deveriam encarar seus investimentos em IA. Em um cenário onde todas as organizações terão acesso aos mesmos modelos de linguagem e plataformas de base, o diferencial competitivo não virá do modelo em si — mas do que cada empresa alimenta nele.

"Seus dados de cliente, seus processos, sua forma de decidir", enumerou Braga. Quem tratar a IA como commodity vai competir em commodity. Quem a tratar como ativo estratégico vai construir algo que o concorrente simplesmente não consegue copiar.

A pesquisa Enterprise 2030, da IBM, sustenta essa tese: as empresas que vão liderar a próxima década são aquelas que estão construindo agora uma IA proprietária — moldada pela cultura, pelos dados históricos e pelos processos internos de cada organização.

Empresas enxutas e o fenômeno do Vale do Silício

Outra tendência discutida durante o São Paulo Innovation Week foi o surgimento de empresas altamente eficientes operando com quadros de funcionários drasticamente reduzidos. O fenômeno já é observado no Vale do Silício, onde companhias com centenas de milhões em receita funcionam com equipes que, há dez anos, seriam insuficientes até para startups em fase inicial.

No setor de tecnologia, essa transformação é ainda mais visível. Segundo Braga, o desenvolvimento de software está entrando na era dos chamados "desenvolvedores nativos de IA" — profissionais que conduzem todo o ciclo de criação de um sistema, da especificação ao lançamento, com o suporte de agentes autônomos. "O que era exceção virou fluxo padrão", afirmou o presidente da IBM Brasil.

Governança: o tema que ninguém quer discutir, mas precisa

Entre todos os pontos levantados no AI Festival, Braga reservou atenção especial para um tema que ainda recebe pouca seriedade nas discussões corporativas: a governança em IA agêntica.

Quando agentes de IA interagem com outros agentes — sem um humano intermediando cada decisão — a complexidade de gerenciar permissões, credenciais e limites de atuação cresce de forma exponencial. "Não basta saber o que cada agente faz. É preciso saber com quem ele se comunica, em nome de quem ele age e quais limites ele respeita", alertou Braga.

A ausência de uma camada robusta de controle nesse ambiente pode representar riscos operacionais e de segurança significativos para as organizações. Para os especialistas, a governança não é um detalhe técnico — é parte central da estratégia de IA de qualquer empresa que pretenda escalar o uso da tecnologia com responsabilidade.

O recado para as empresas brasileiras

A mensagem dos dois especialistas converge para um ponto: a janela de oportunidade está aberta, mas não ficará aberta para sempre. Empresas que encaram a IA como uma despesa de TI a ser postergada vão encontrar, nos próximos anos, uma distância competitiva cada vez mais difícil de fechar.

Para os profissionais, a lição também é clara: qualificar-se para orquestrar sistemas inteligentes não é mais um diferencial opcional — está se tornando o requisito mínimo para prosperar no mercado de trabalho da segunda metade desta década.

Relacionadas
Publicidade
Publicidade
AO VIVO
Ao vivo · Eu Googlando