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Brasil mira top 5 global em IA: unicórnio jurídico, SoftBank e regulação entram em cena

O Brasil vive um momento decisivo na corrida global pela inteligência artificial: a Enter, startup de IA jurídica, acaba de se tornar o primeiro unicórnio de IA da América Latina, enquanto o SoftBank alerta que o país precisa de uma política clara para não ficar para trás. No centro do debate, políticos e investidores se reúnem em Nova York para traçar o caminho do Brasil rumo ao protagonismo tecnológico.

Por Eu Googlando IA5 min de leitura
Brasil mira top 5 global em IA: unicórnio jurídico, SoftBank e regulação entram em cena
▸ leitura rápida
  • A startup brasileira Enter se torna o primeiro unicórnio de IA da América Latina, com valuation de US$ 1 bilhão
  • O SoftBank, que já investiu US$ 8 bilhões na América Latina, vê potencial brasileiro em IA, mas alerta para o risco de atraso regulatório
  • O Brasil tem vantagem competitiva na camada de aplicações de IA, não na infraestrutura pesada dominada por EUA e China
  • O deputado Aguinaldo Ribeiro, relator da regulamentação de IA na Câmara, defende regras que equilibrem inovação e proteção de dados
  • Especialistas alertam que a janela de oportunidade é real, mas depende de execução em capital, infraestrutura e regulação
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O primeiro unicórnio de IA da América Latina é brasileiro

Uma startup jurídica brasileira acaba de mudar o mapa da inteligência artificial na América Latina. A Enter, empresa especializada em IA aplicada ao direito, atingiu a marca de US$ 1 bilhão em valuation — tornando-se o primeiro unicórnio do setor de IA da região, segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo em 15 de maio de 2026.

A conquista não é apenas um marco financeiro. Ela sinaliza que o Brasil começa a produzir tecnologia de ponta com escala global, e não apenas consumir soluções desenvolvidas fora. Para o fundador da empresa, o objetivo é ambicioso: colocar o Brasil entre os cinco maiores players globais de inteligência artificial.

Esse tipo de declaração, que poderia soar ousada há poucos anos, hoje encontra respaldo em números e movimentos concretos do ecossistema de inovação brasileiro.

SoftBank vê oportunidade — mas também risco

Durante a Brazilian Week 2026, realizada em Nova York entre os dias 12 e 14 de maio, executivos do SoftBank foram diretos: o Brasil tem tudo para avançar em IA, mas pode perder a janela de oportunidade se não agir rápido.

Alexandre Szapiro, CEO do SoftBank para a América Latina, afirmou que o grupo investe na região desde 2019 e já alocou US$ 8 bilhões no continente, com um portfólio de mais de 67 empresas. Segundo ele, empreendedores latino-americanos têm capacidade demonstrada de construir negócios com escala global.

"O nosso papel como venture capital é investir e trazer o capital de volta", disse Szapiro, em entrevista à BM&C News. Ele explicou que o processo vai além do aporte financeiro: envolve ajudar empresas a gerar valor ao longo de ciclos que podem durar de três a dez anos.

O executivo destacou ainda que o Brasil ocupa uma posição geopolítica favorável e reúne características atraentes para investidores voltados a tecnologia, dados e produtividade. Setores como logística, sistema tributário e meios de pagamento foram citados como áreas em que a IA pode gerar impacto real no país.

Pix como modelo: o Brasil já sabe inovar em aplicações

Um dos pontos centrais da análise do SoftBank é a diferença entre infraestrutura pesada de IA — como data centers e modelos fundacionais, dominados por EUA e China — e a camada de aplicações, onde o Brasil tem mais chances de se destacar.

Szapiro citou o Pix como exemplo concreto de inovação brasileira com impacto de mercado. O sistema de pagamentos instantâneos, desenvolvido pelo Banco Central, é usado como referência internacional e prova que o país consegue criar soluções tecnológicas escaláveis quando há projeto e vontade política.

Eduardo Vieira, sócio do SoftBank, reforçou que o tema da produtividade é central nesse debate. A IA pode ser o instrumento que o Brasil precisa para crescer sem precisar necessariamente aumentar o tamanho da força de trabalho — algo especialmente relevante diante dos desafios demográficos do país nas próximas décadas.

O alerta, no entanto, permanece: o Brasil ainda carece de uma política nacional clara para atrair investimentos em infraestrutura tecnológica e garantir previsibilidade regulatória aos investidores estrangeiros.

No Congresso, regulação de IA avança com cautela

Enquanto o setor privado movimenta bilhões, o Legislativo tenta acompanhar o ritmo. O deputado federal Aguinaldo Ribeiro participou do LIDE Brazil Investment Forum 2026, também em Nova York, no dia 12 de maio, onde defendeu o avanço da regulamentação da inteligência artificial no Brasil.

Relator de propostas sobre o tema na Câmara dos Deputados, Ribeiro afirmou que o desafio do Congresso é criar regras que não inibam a inovação, mas que ao mesmo tempo garantam proteção à população, segurança jurídica e privacidade de dados.

"O objetivo é criar regras que não inibam a inovação, ao mesmo tempo em que garantam segurança jurídica e proteção de dados", disse o parlamentar, de acordo com o Portal Ponto PB.

O deputado também defendeu investimentos em conectividade e infraestrutura digital, citando a ampliação de data centers e de cabos submarinos como pontos essenciais para aumentar a competitividade do Brasil no cenário global. Ribeiro mencionou ainda a reforma tributária aprovada recentemente como um passo positivo para o ambiente de negócios.

O que está em jogo para o brasileiro comum?

Pode parecer distante, mas a corrida pela IA tem impacto direto no dia a dia. Pense assim: se o Brasil conseguir se posicionar como um hub de aplicações de inteligência artificial, isso significa mais empregos qualificados, serviços públicos mais eficientes e soluções tecnológicas desenvolvidas para a realidade brasileira — e não adaptadas de contextos americanos ou europeus.

Do atendimento jurídico mais acessível — exatamente o que a Enter propõe — até sistemas de saúde que antecipam diagnósticos ou ferramentas agrícolas que aumentam a produtividade do campo, as aplicações de IA têm potencial de transformar setores que afetam centenas de milhões de pessoas.

O desafio, como apontam os especialistas ouvidos nos eventos de Nova York, é que essa transformação não acontece sozinha. Ela depende de capital, de infraestrutura, de regulação inteligente e de formação de talentos.

Brasil no mapa global: ambição com prazo de validade

A janela de oportunidade existe, mas não é eterna. Países como Índia, Emirados Árabes e algumas nações do Sudeste Asiático também disputam espaço na camada de aplicações de IA — e investem pesado em políticas de atração de empresas e formação de engenheiros.

O surgimento do primeiro unicórnio de IA da América Latina no Brasil é um sinal positivo. O alinhamento entre setor privado, investidores internacionais e parlamento em torno do tema, também. Mas, como alertou o SoftBank, potencial não vira resultado sem execução.

A próxima etapa do debate acontece no próprio território nacional: a regulamentação da IA no Brasil segue em tramitação na Câmara, e suas definições deverão balizar os investimentos dos próximos anos. O placar, por ora, ainda está em aberto.

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