Senado dos EUA vota Clarity Act em comitê; XRP e outras criptomoedas aguardam definição regulatória
O Comitê Bancário do Senado dos Estados Unidos realizou nesta quinta-feira (14) uma audiência para avançar com o Digital Asset Market Clarity Act, projeto de lei que estabelece critérios federais para classificar ativos digitais como commodities ou valores mobiliários. Se aprovado pelo plenário do Senado — etapa seguinte do processo —, a legislação definirá quais agências regulam cada criptomoeda nos EUA e pode remodelar o mercado global de ativos digitais.

- O Comitê Bancário do Senado dos EUA realizou nesta quinta-feira (14) audiência para avançar com o Digital Asset Market Clarity Act, que classifica criptomoedas como commodities ou valores mobiliários.
- A votação no comitê não aprova a lei diretamente — ela apenas autoriza o avanço para o plenário do Senado, onde são necessários 60 votos para aprovação definitiva.
- O placar político é apertado: 13 republicanos contra 11 democratas no comitê; o senador John Kennedy mantinha posição indefinida e a senadora Elizabeth Warren apresentou dezenas de emendas.
- A senadora Cynthia Lummis alerta que, se o projeto não avançar antes do recesso do Congresso no final de maio, a legislação pode ficar paralisada por anos.
- O XRP permanecia ancorado em torno de US$ 1,43, cerca de 23,8% abaixo do fechamento de 2024; analistas citados pelo Boerse Global apontam potencial de alta para US$ 1,80 com aprovação favorável.
O que é o Clarity Act e por que ele importa
O Digital Asset Market Clarity Act propõe definir, em nível federal, quais tokens digitais são classificados como commodities — a exemplo do ouro e do petróleo — e quais são valores mobiliários, como ações de empresas. Essa distinção, embora técnica, tem impacto direto sobre investidores, exchanges e desenvolvedores de projetos cripto.
A classificação determina qual agência federal americana será responsável pela fiscalização de cada ativo: a CFTC (Commodity Futures Trading Commission) ou a SEC (Securities and Exchange Commission). Cada órgão possui regras, exigências e poderes distintos. A ausência de critérios claros até hoje cria uma zona cinzenta que trava investimentos e gera insegurança jurídica para o setor.
Atualmente, a falta de clareza regulatória faz com que empresas operem sob risco constante de processos judiciais. A SEC já acionou diversas exchanges e projetos alegando que comercializavam valores mobiliários não registrados. Com regras definidas, os projetos saberiam previamente em qual categoria se enquadram e quais obrigações precisam cumprir.
Como funciona a votação no Comitê Bancário
A sessão desta quinta-feira não aprova o projeto diretamente como lei. O Comitê Bancário funciona como uma etapa de triagem: debate emendas, ajusta o texto e, se votar favoravelmente, autoriza o projeto a avançar para votação no plenário do Senado. O rito é padrão para legislações de alta complexidade técnica.
Antes da votação, os senadores abriram espaço para apresentar e discutir emendas ao texto original, conforme relatado pelo portal SpaceMoney. O placar político no comitê é apertado: 13 republicanos contra 11 democratas.
Os apoiadores da lei precisam de todos os votos conservadores para avançar. O senador John Kennedy ainda demonstrava indecisão até o momento da audiência. Do lado democrata, a senadora Elizabeth Warren apresentou dezenas de emendas com o objetivo de retirar partes consideradas centrais do texto.
O prazo que pressiona o Congresso
O calendário legislativo adiciona tensão ao processo. O Congresso americano entra em recesso no final de maio, o que comprime a janela disponível para a aprovação do projeto antes do meio do ano.
A senadora Cynthia Lummis, uma das principais defensoras da legislação, adverte que, se o Clarity Act não superar essa janela, o projeto pode ficar paralisado por anos. Para aprovação definitiva no plenário do Senado, são necessários 60 votos — número que obriga os defensores da lei a buscar apoio bipartidário e fazer concessões em pontos polêmicos, especialmente nas diretrizes éticas do texto.
O que muda na prática para o mercado
Com regras federais claras, analistas avaliam que o setor tenderia a atrair mais capital institucional — fundos, bancos e gestoras que hoje evitam o mercado cripto justamente pela insegurança jurídica. A previsibilidade regulatória é apontada como um dos principais requisitos para a entrada de grandes investidores.
O XRP, token da Ripple, é citado como um dos ativos com maior exposição ao resultado da votação. Segundo dados citados pelo portal Boerse Global, o ativo registrou número recorde de carteiras com mais de 10.000 tokens e fluxos bilionários para ETFs à vista. O preço permanecia ancorado em torno de US$ 1,43 — cerca de 23,8% abaixo do fechamento de 2024 —, em parte pela incerteza regulatória. Analistas citados pelo veículo apontam que uma aprovação favorável poderia impulsionar o token para a faixa de US$ 1,80.
Clarity Act e o GENIUS Act: dois projetos em paralelo
O Clarity Act não é o único projeto regulatório em tramitação no Congresso americano. Ele avança em conjunto com o GENIUS Act, voltado especificamente para a regulação das stablecoins — criptomoedas atreladas a ativos estáveis, como o dólar.
Juntos, os dois projetos formam o que especialistas do setor descrevem como o arcabouço regulatório federal mais abrangente já proposto para o mercado cripto nos Estados Unidos. A aprovação de ambos sinalizaria uma mudança de postura do governo americano — de fiscalização reativa e litigiosa para um modelo de regulação proativa com regras claras.
Em março de 2026, a SEC e a CFTC já haviam sinalizado esse movimento ao classificarem determinados ativos digitais com critérios mais definidos, segundo o portal Boerse Global — um passo que antecipa o espírito do Clarity Act.
Por que o mundo acompanha a votação
O mercado cripto é global por natureza, mas os Estados Unidos seguem sendo o maior mercado financeiro do planeta. Quando Washington define regras, o efeito é sentido em exchanges, fundos e projetos em todo o mundo — inclusive no Brasil, que já conta com uma estrutura regulatória inicial para criptoativos sob supervisão do Banco Central.
Uma regulação clara nos EUA tende a legitimar o setor internacionalmente, facilitar o acesso de investidores institucionais e pressionar outros países a acelerarem suas próprias regulamentações. O próximo passo para o Clarity Act, caso o comitê vote favoravelmente, é a votação no plenário do Senado, onde serão necessários 60 votos para aprovação definitiva.



